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quinta-feira, junho 18

O descanso do guerreiro

O descanso do guerreiro
É a última crónica que, em princípio escrevo este ano sobre os media. Sinto-me contente por ter escolhido este tema, pois foi um tema que “deu pano para mangas”. Neste terceiro período, para completar o espírito critico que nos foi fomentado ao longo do ano, nada melhor do que os media. Escolher não nos envolvermos na imprensa e na comunicação social é escolher ficarmos a leste do mundo, ficarmos apáticos. É a mesma coisa que andarmos na rua de olhos e ouvidos tapados. É perigoso não se ter a percepção do que está à nossa volta .Por tudo isto, venho hoje na minha crónica fazer uma proposta pessoal também sugerir-vos o mesmo: não nos esquecermos do que aprendemos e continuarmos a estar de olhos postos no mundo, mesmo que agora nas férias a inércia e os dolorosos escaldões nos deixem sem vontade de estarmos informados. Se estiverem com pouca vontade de ler o jornal, comecem pela parte dos jogos, vão ver que depois de várias tentativas de sodoku falhadas, ler as notícias pode parecer uma melhor ideia! Se não vos apetecer ver o telejornal, ponham na TV shop e depois de ouvirem quinhentas vezes o mesmo anúncio sobre um aspirador, suplicarão por ver as notícias. E não se fiquem só por aqui! A internet é uma boa ajuda para percebermos melhor o que se passa, por ser global. Podem fazer o seguinte, ora vêm um vídeo no youtube, ora vêm um site de um jornal. Cuidado, não se distraíam, que o mundo também não! Ele não para, por isso se somos nós que paramos, morremos (intelectualmente, perceba-se). Sim, estamos de férias e é o descanso do guerreiro…Mas não se esqueçam, um guerreiro não dorme, repousa!

sexta-feira, junho 12

Rico país, meus senhores...


Onze de Junho de dois mil e nove: a 'notícia do dia', aquela que percorre todos os jornais e bombardeia as pessoas de cinco em cinco minutos na TV é, nada mais nada menos, do que A TRANSFERÊNCIA DE CRISTIANO RONALDO DO MANCHESTER UNITED PARA O REAL MADRID.


A minha opinião? -Hilariante. O facto de este jogador ser contratado com aquela que se estima ser a maior quantia de sempre parece não ser impedimento de o afirmar com orgulho, como se já não fosse patético fazer disso notícia de abertura... Mas lá está, falamos de Portugal, o 'país da bola'! O país em que a bola manda e manda até mesmo na Imprensa.


Sim, porque Portugal é 'boliocêntrico'. O grande problema é que, de facto, os que 'mandam' aqui não 'batem bem da bola'...


quinta-feira, junho 11

As grandes (pequeninas) reportagens

As reportagens são como as festas e as homenagens, fazem-se por tudo e por nada. Todos os dias temos reportagens, aquelas reportagens especiais, que aparecem geralmente depois dos telejornais. Essas reportagens são sobre grandes acontecimentos, ou de grandes pessoas que fizeram grandes feitos ou passaram por experiências de vida extraordinárias…NÃO. Não de todo. As reportagens são acerca de pessoas normais, que levam uma vida semelhante à nossa. E achamos estas vidas surpreendentes. Acho que é a mesma reacção que se tem quando se olha a um espelho pela primeira vez e se fica admirado com o nosso próprio reflexo. Será que estas reportagens ainda são vistas pois sentimos que são inspiradas em nós, como os filmes biográficos? Será que não temos a capacidade de ver que aquela realidade se aproxima bastante das nossas vidinhas rotineiras? Ou será que vimos porque temos a ilusão que aquelas vidinhas rotineiras nada têm a ver com as nossas vidas cheias de acção, e logo ficamos fascinados com aquele modo de vida?
Depois ainda existem outros casos. Aqueles em que, ok, as vidas daquelas pessoas é bastante diferente da nossa. Mas são diferentes na medida em que são mais desinteressantes. Somos inundados de meninos que nunca viram o mar. Há muita gente que nunca viu o mar. Há muita gente que nunca viu muita coisa. Eu por exemplo nunca vi um pavão. Façam uma reportagem se quiserem!
E depois ainda há aquelas entrevistas a quem vê de mais. De quem vê óvnis por exemplo. Com muita pena minha estas pérolas da reportagem há muito que não nos encantam. Talvez os outros planetas também estejam em crise e os extra-terrestres estejam a poupar no combustível. Mas quando aparecem é a valer! É que parecem luzes de aviões…mas qual quê! Vê-se logo que são extra-terrestres! O Quim do café até tem um testemunho, ele até viu um! Ou era um alien ou então era a luz da rua…mas devia mesmo ser um alien, afinal as canecas de vinho que ele bebeu não lhe iriam tirar a lucidez! As equipas de reportagem estão lá batidas, para ver se conseguem tirar imagens exclusivas destes seres. Se fizerem a rotina do Quim, aposto que conseguiriam ver um alien! Aliás até eu via…

sexta-feira, junho 5

Um mundo de imagens

Depois da visita à Exposição World Press Cartoon, achei que dentro do tema sobre o qual eu tenho de escrever, os cartoons que lá estavam eram uma perfeita fonte de inspiração. Através daquela exposição, podemos perfeitamente notar denominadores comuns, percebermos claramente quais os assuntos ou personalidades que são as principais “vitimas” dos media. A mira da Imprensa está sempre apontada, só falta a precisão para disparar no momento certo. E isto meus fiéis leitores, é o segredo dos media.
Vou então fazer a “lista dos mais procurados dos media”,uma coisa ao estilo Velho Oeste. Desculpem a desilusão, mas a recompensa não é para nós pessoas-que-não-ligadas-aos-media. Também não a merecíamos. A única coisa que vemos é ver os duelos, porque quem tem de disparar não somos nós. Bem, mas então deixemo-nos de conversas, e partiremos para o importante.
1º Lugar – Crise mundial
Acho que é unânime. A crise mundial está tão presente nas desculpas que damos para tudo de mal que fazemos (se roubamos não é porque queremos, é da crise; se não damos nada a ninguém não é por sermos invejosos, é a crise) como na imprensa, e logo nos cartoons. Acho que as crianças de agora aprendem a dizer a palavra crise antes de aprenderem a dizer “papá” ou “mamã”. A crise e os media andam de braços dados. A crise, essa oportunista convencida gosta de aparecer de vez em quanto e moldar todo o mundo à sua volta. Gosta da imprensa, pois esta dá-lhe a atenção que pretende. A imprensa tem na crise um baú de assuntos intermináveis com ela ligados, pois afinal há sempre um analista que tem uma nova teoria sobre as razões da crise, e há montes de fábricas ainda por fechar e que dão “óptimas” entrevistas com as pessoas que acabaram de ser despedidas e que claro, não vão estar com papas na língua e que com alguma sorte vão criticar tudo o que lhe aparece á frente!
2º Lugar – Barack Obama
Conhecem a expressão “namoradinha da América”, aquilo que costumam chamar às modelos e actrizes e afins que estão na berra no país do tio Sam? Pois, tirem o cavalinho da chuva as Paris Hilton da terra da Liberdade, pois Barack Obama tirou-vos o estatuto. Barack Obama é o novo “namoradinho da América”, aliás não só da América, do mundo! Se a imprensa não perdoa as Paris Hilton do mundo, com certeza também não vai perdoar Barack Obama. Mas este tem reflexos rápidos (reentrando outra vez na metáfora do Velho Oeste) e a abordagem que faz de Obama, é certamente diferente da que faziam e Bush. Obama, faz transparecer através dos media uma imagem de mudança e esperança. Isto, até através dos cartoons se pode verificar.
3º - Guerra no Iraque
E por último mas não menos importante, a guerra no Iraque. Nos últimos tempos este conflito não tem tomado tanto os jornais como dantes, mas na exposição pode-se verificar uma forte referência a esta guerra. Achei especialmente elucidativo um cartoon, que inspirado na famosa fotografia dos soldados americanos na 2ª Guerra Mundial a levantar a bandeira americana em Iwo Jima, mostra um grupo de soldados que levantavam não a bandeira, mas sim uma torre de exploração de petróleo. Acho que relativamente à guerra do Iraque, os cartoons disseram mais do que por vezes os noticiários, daí a importância destes. Aliás, em muitos dos cartoons estavam representadas coisas que muitas vezes não se vêm nos jornais ou nos telejornais, porque se for bem a ver, a imagem sempre é mais suave, e há sempre uma desculpa. As palavras são claras directas, as imagens já são do tipo – “Ai foi assim que você interpretou o meu desenho? mas olhe que não tem nada a ver com isso…”

domingo, maio 31

Estou cansada...


Por vezes, o cansaço surge. Todos corremos, todos estamos stressados e todos temos os ouvidos a atafulhar de histórias e notícias. Teremos nós direito a uma pausa com KitKat (não é meu objectivo fazer publicidade...)?
Não sei se alguma vez vos aconteceu, mas simplesmente não me apetece ligar a TV para ouvir as notícias, nem tão pouco irei pegar no jornal para me manter a par do que se passa. Gosto de estar informada, mas preciso duma folga. Preciso duma folga de histórias sobre a Conchichina (e existe mesmo!) e de histórias sobre o papagaio da vizinha da outra. Metade do que vemos ou lemos quando queremos estar simnplesmente informados é publicidade (e falo daquela que não interessa a ninguém) e não tenho paciência para isso. E quantas e quantas vezes não andam ali a engonhar, a falar da mesma coisa por semanas afio? Secalhar estão cansados, têm desculpa para se repetir. Então e eu? Às vezes já nem há nada a dizer, mas continua-se, repete-se informação estilo papagaio...(já reparei que hoje estou virada para pagagaios, mas dêem-me um desconto, estou cansada).
Os meios de comunicação não são o que eram. E com leitores cansados como nós, deviam ser um bocadinho diferentes. Por estes e por outros motivos, estou de greve. Meus caros leitores, tenho vindo aqui sempre a incentivar-vos à informação, mas hoje não. Hoje estou cansada...

sexta-feira, maio 29

Crónica sobre a crónica

Quando compro o jornal todos os dias, leio a crónica e questiono-me como é que alguém podia ter tema dia após dia para escrever uma crónica. Como conseguem os meios de comunicação terem sempre alguma coisa para criticar? Como conseguem os cronistas estarem tão atentos ao quotidiano a fim de escreverem todos os dias sobre assuntos da actualidade?
Pois é, parece que agora este problema me tocou a mim. Não tenho de escrever uma crónica todos os dias (felizmente), mas todas as semanas. Uma dor de cabeça comparável a estar duas horas a ouvir Zé Cabra. Ou talvez não. A crónica tem um segredo. E eu sei qual é. Posso-vos contar mas teria que vos matar. Pronto, eu conto, caso contrário esta crónica não teria sentido. Para escrever uma crónica não é preciso saber mais, ser mais actual ou muito inteligente. Só é preciso estar-se atento. Alguma vez uma crónica vos disse alguma coisa de novo? Pois a mim não. As crónicas falam de assuntos que conhecemos bem, com os quais somos confrontados todos os dias. A única diferença entre um cronista e uma pessoa comum, um não-cronista é a maneira como cada um olha para aquilo que o rodeia. É fazer um olhar sobre o mundo daqueles que se fazem na sala de espera de um centro de saúde. Ou por menos que eu faço. Calma, sobrancelhas arqueadas de dúvida, vou passar a explicar. Não sei se acontece a outras pessoas, mas quando estou na sala de espera de um consultório médico, fico com um espírito crítico e uma ironia muito aguçados. Não sei porque é que o ambiente me proporciona isto, mas imagino que o mesmo deva acontecer em todos os locais com uma grande variedade de pessoas, só que nunca reparei. Isto tudo, por incrível que pareça, tem uma conclusão. Nós identificamo-nos com uma crónica, por nos identificarmos com a realidade que lá está exposta. E isso é possível pela convivência diária que temos todos os dias com milhares de pessoas. Um bom cronista é aquele que não despreza os pormenores engraçados da vida, que aprendemos a desprezar com a experiência, alertando-nos para esses mesmos pormenores (eu sei, muito kafka da minha parte).
Concluindo, os cronistas dos jornais e revistas não são intelectuais que passam a sua vida rodeados de livros de capa dura nas suas grandes bibliotecas de pinho, com um ar séptico, pegando no seu cachimbo e usando camisolas com losangos (eu imagino todos os intelectuais sendo britânicos e estando presos no século XX num ambiente bucólico). Os cronistas são pessoas que tal como nós estão horas no Registo Civil e observam as intrigas entre as funcionárias e as pessoas que estão à espera, são pessoas que tal como nós estão presos no trânsito e estão atentos às tentativas dos “espertinhos” de fugirem ao trânsito, são pessoas que tal como nós vivem no mundo actual, o melhor tema de uma crónica possível por nunca estar esgotado. Relativamente ao media, os cronistas que escrevem para jornais dizem que o futebol português é um vergonha e que os árbitros são comprados, que o governo é uma vergonha e é por causa dele que há crise, que a educação é uma vergonha porque os miúdos já nem a tabuada sabem, enfim um monte infindável de vergonhas das quais falamos todos os dias na paragem do autocarro ou no café. Assim, é só preciso ter a percepção do que se passa mesmo ao nosso lado para se escrever uma crónica. Se não acreditam olhem para mim, não tenho um curso catedrático, mas bom vou-me safando nisto de ser uma “cronista”.

domingo, maio 24

"Liga a telefonia, Zé!"


Longe vão os tempos em que o Zé ligava a telefonia para saber o que se passava no resto do planeta: como ia a guerra, o resultado do Sporting-Benfica, as novidades no mundo da política... O pequeno rádio era o centro, a única coisa que ligava a pequena aldeia com o mundo exterior. Os serões eram muitas vezes passados em família ao redor do pequeno aparelho precioso. Atentos a cada palavra vinda do outro lado, os olhos dos ouvintes brilhavam, espantados com tamanha tecnologia! Irónico, não é?
Hoje, que atenção se-lhe dá? Rodeados de televisões HD, computadores portáteis com ligação à Internet e tantos outros meios de comunicação, esquecemo-nos daquele que em tempos foi indispensável. Gostamos da imagem, de algo 'palpável'. Imaginar dá demasiado trabalho! Mas é pena. É pena só lhe ligarmos um bocadinho quando vamos no carro (e isto é se não tivermos uns cd's por perto...). É pena porque faz bem imaginar, não recorrer apenas ao que mais nos cativa, mas escutar mais de perto a palavra em si. É verdade que vamos evoluindo e como tal os meios de comunicação também, mas com a morte do rádio morre toda a sua herança cultural, todos os grandes relatos por ele transmitidos, todas aquelas grandes notícias que nos chegaram aos ouvidos enquanto estes estavam coladinhos à telefonia... Não vejo ninguém ir para o café ouvir o relato da bola!
Será que daqui por uns anos acontecerá o mesmo com a televisão? Tornar-se-á ela 'coisa de antigos'? Teremos de esperar para ver... Mas será estranho se daqui a uns anos se ouvir "TV Cabo? Meo? Isso está desactualizado, filha..."!

quarta-feira, maio 20

Ele há cada coisa...

No seguimento do que escrevi a semana passada, vou esta semana falar, não de notícias que não são notícias, mas de notícias que não interessam a ninguém. Daquelas, que nos põem o sobrolho a tremer, mesmo que aquela estúpida notícia, tenha sido o melhor, que os senhores jornalistas, que dedicam a sua vida a informar o povo, conseguiram arranjar. Aqui ficam algumas dessas notícias.

Aqui fica a primeira. Já repararam como todos os Invernos somos "surpreendidos" por aqueles directos a partir da Serra da Estrela, porque, ó meu Deus está a nevar!A nevar no Inverno no ponto mais alto de Portugal Continental? Não, impossível! O quê, é mesmo verdade, estão lá os jornalistas e tudo? O mundo está realmente de pernas para o ar! Ou então é o sentido de notícia que está de pernas para o ar....

Ou então aquelas reportagens de Verão, que mostram milhares de portugueses nas praias e perguntam-lhes como é que está o tempo! Sendo Verão e estando milhares de portugueses na praia debaixo dos seus chapéus-de-sol e a chapinhar alegremente na água, é porque devem estar 20 graus abaixo de 0. E aliás, os repórteres, que estão no local, não conseguem avaliar o estado do tempo. Não, pergunta-se aos banhistas, para dar um ar mais credível. Sim, porque ninguém quer correr o risco de ser mal informado em relação ao tempo que está a fazer naquela praia. Livrai-nos disso!

E qual é o interesse, em no Natal entrevistar os portugueses nos centros comerciais para saber o que compraram para os seus familiares ou amigos? Ainda por cima estraga a surpresa a esses mesmos familiares e amigos a quem as prendas se destinam. E para piorar, as pessoas têm a tendência de dizer "comprei aquilo que era mais barato, não há dinheiro para comprar coisas boas". Eu acho que as pessoas pensam que a televisão só existe para eles, "ai não, eles não vêem". Claro que não, a televisão até é só para elites. Quem é que vê televisão afinal? Ninguém, as pessoas gostam é de teatro e museus. Mas o interessante é que não se entrevista uma pessoa. Entrevistam-se todas as pessoas que passam, que já têm de sobreviver na autêntica selva sem misericórdia e compaixão que é um centro comercial em época natalícia, como ainda têm de ver os seus esforços irem por água abaixo ao terem de revelar o que compraram, por razão nenhuma.

Mas o que é mesmo útil, para a nossa felicidade, é saber todos os pormenores acerca do quiosque ou café onde saiu o euromilhões. Pronto, é uma boa conversa de café, uma curiosidade, os noticiários até podem referir isso...mas irem até ao local e entrevistarem clientes frequentes daquele quiosque ou café, isso já é dar-se a mão e tirarem-nos não só o braço, mas o tronco. Mas o mais interessante é que quase se atribuem características míticas àquele local. É como se fosse um amuleto da sorte, um local santo onde um milagre aconteceu. Mas afinal, o que é que há a dizer acerca disto? Pronto, a pessoa que ganhou o euromilhões, entregou lá o boletim...e depois? O que é que se pode perguntar? E depois ficamos admirados com certas respostas completamente estúpidas que ouvimos nos noticiários. Também, o que é que se podia responder a determinadas perguntas ridículas que são feitas? Respostas ridículas, é óbvio... Depois admiram-se que isto está como está, e a culpa é do governo!(é só para dar o exemplo da resposta ridícula mais usada em Portugal)

quarta-feira, maio 13

Notícia de última hora: nada aconteceu!

Eu deparo-me com um problema, que OK, não é tão importante como a fome ou a guerra, mas de modos que chateia. Estou a falar daquelas notícias, que não o são. As falsas notícias. Aquelas do “esteve para acontecer, mas afinal não aconteceu”.

Muitas vezes a ver o telejornal, deparo-me com esta situação e pergunto-me: “Está bem, mas afinal qual é a notícia?”. Um exemplo desta situação, tem a ver com o novo tema de conversas de café, agora que o campeonato acabou, quer dizer não acabou, mas está "decidido": a gripe A.
Antes sequer de surgirem suspeitas em relação à doença em Portugal, falava-se dos casos nos outros países e para não nos sentirmos atrás, os noticiários diziam: “Em Portugal, ainda não existem casos da gripe H1N1”. Pois, também não temos peste negra, nem escorbuto em Portugal, porque é que isso não é então uma notícia? E aquelas notícias dos”sustos”, ou das “sortes” do tipo: “Maria ia, como todos os dias passar por debaixo de uma construção pela qual tinha de passar para chegar ao seu emprego. Mas é então que se apercebe que se havia esquecido da carteira em casa, e volta para a ir buscar, salvando assim a sua vida, pois no momento em que dá um passo para trás, cai um tijolo que lhe haveria caído em cima, caso não voltasse para ir buscar a carteira”. São coisas curiosas, de facto. A “Maria” tem agora uma boa história para contar em festas até ao resto da sua vida. Mas notícias deste género não deveriam aparecer nos jornais.

Será que no mundo inteiro, os jornalistas não conseguem encontrar nada que tenha acontecido? Digamos, algo de interessante, que não seja acerca de uma cabra que teve 20 filhos, ou de uma couve gigante no Entroncamento, mas algo de realmente interessante. A única justificação, justificação não, explicação que eu posso imaginar, é que os jornalistas adoram dar asas à imaginação. Afinal, há tanta coisa que não acontece , não é? Há milhares de doenças que não se propagaram, milhares de ocasiões em que podia acontecer um acidente, mas afinal foram só sustos, milhares de notícias, que afinal não eram notícias…

sábado, maio 9

O verdadeiro Pandemónio


Quem ainda não ouviu falar da Gripe A (anteriormente conhecida como Gripe Suína)? A verdade é que ninguém escapa de submeter o ouvido às notícias que abordam a pandemia. Ligam-se as televisões, abrem-se os jornais...e pronto, lá está a boa da notícia!
O mais curioso é sempre a notícia em si: "chegou a Portugal!" ou "14 pessoas internadas sob suspeita" - notícias essas que não passam de informações não confirmadas e que cedo se provam fruto de precipitação. O ponto alto foi, sem dúvida, a alteração do nome da de Gripe Suína para Gripe A... Numa época de suposto alarmismo, em que 'pessoas morrem aos milhares' e todos corremos risco, o mais importante é obviamente alterar o nome da doença! O irónico da situação são as declarações proferidas pelo director-geral de Saúde português, Francisco George, que disse estar "menos preocupado" porque afinal "tudo indica que a virulência do vírus não é particularmente perigosa".
O porco assassino anda aí... E há uma pandemia, sim...de informações!

quarta-feira, maio 6

A LIFE é feita de momentos...


Falando nos media, pensei em falar de uma revista, infelizmente extinta, que tanto contribuiu para a Imprensa através da imagem, a grande amante da mente humana. Estou a falar, portanto da Life magazine. Esta revista americana tem as suas origens numa época em que as ilustrações teriam de servir para despertar a atenção dos leitores. Ficou conhecida, inicialmente pelas suas pin-ups, aqueles desenhos que mostram mulheres a fazer as suas tarefas diárias de cintos de ligas e batom vermelho (como aliás, todas as mulheres o fazem), pelos textos humorísticos, cartoons e críticas de teatro e cinema. Era sobretudo uma revista de entretenimento. Mas como revistas de entretenimento estavam fora de moda, a Life passou a ser uma revista de jornalismo. Fotojornalismo, mais exactamente. A Life tinha fotos que iam desde a morte de Kennedy à Marilyn Monroe( outra amante da mente), com vestidos curtos. Ambas provocaram grande sucesso, que no último caso se deveu ao interesse dos leitores, nomeadamente masculinos pela moda, único e exclusivamente pela moda...

A Life tornou-se um ícone do século XX, conhecida pelas suas fotografias chocantes e reveladores, talvez demasiado reveladoras em alguns casos… A verdade é que era impossível ficar-se imune à espectacularidade e crueza daquelas imagens. As imagens da Life eram uma definição da expressão: Uma palavra vale mais do que mil palavras. Muitos fotógrafos conceituados, ganharam esse tal estatuto de conceituados ( e merecido) por serem fotógrafos da Life. As pessoas reagiam a essas fotos como é tão próprio da natureza humana, ficando a olhar para elas tal como uma criança olha para as prateleiras da toys ´R us, e depois de um momento de análise intensiva da imagem exclamar um sábio e intenso: “Hiii, olha lá isto!” Hoje em dia, esta revista serve de inspiração a muitas outras que seguem a mesma linha de jornalismo, por se aperceberem do efeito que a combinação do ângulo, cor e altura certa, podem fazer uma verdadeira obra de arte (e para os do sexo masculino, não, não falo apenas das fotos da Marilyn Monroe).

O nome Life adequa-se na perfeição à natureza da revista. A vida não é letras, números ou estatísticas, disso estamos está o público farto, além de não o admitir para parecer inteligente e distinto. O mundo está cheio de vida, e a vida são as pessoas, os locais, os ambientes. Nada melhor do que falar de uma tragédia do eu mostrar o cenário devastado ou a expressão de dor na cara das pessoas. A VIDA é feita de momentos, e esses momentos quando apanhados pela câmara passam a ser imagens vivas, que traduzem o mundo!

terça-feira, maio 5

Crónica


“Jornal Sufocante ”

Às vezes de manhã passo pelo quiosque e deparo-me com um enorme aglomerado de pessoas. Chego a iludir-me que estão a comprar uma revista sobre cultura, mas não, é tudo para comprar um simples jornal, “O * ”, um monte de folhas com grandes textos e obviamente bastante trabalhados, sobre a vida das pessoas que passam o dia (supostamente) a trabalhar para melhorar o país, o governo.
Já vivemos numa depressão enorme por não termos quase dinheiro para nos alimentarmos, então quando pegamos naquele jornal.. Digamos que morremos sufocados em notícias assustadoras, sobre política, economia, e sobre política, ah! e sobre política!
Quando há inúmeros acidentes por dia, mortes, feridos, pessoas que precisam de ajuda, este jornal simplesmente quer saber de notícias importantes como o governo, claro. Não percebo as pessoas que compram aquele jornal, correm, empurram-se, só para ler as notícias sobre o que se passa na Assembleia da Republica. Não é mais importante preocuparmo-nos com os que realmente precisam? Imagine, os hospitais tão cheios de gente a lutar pela vida, enquanto os excelentíssimos senhores do governo estão sentados no jacuzzi com a família. Eles não querem saber de nós, só querem ganhar dinheiro para não comer ovos estrelados, e sim comer um bom bife. Portanto, aconselho urgentemente a este jornal, que reformulem as notícias que publicam. As pessoas não querem mais dramas sobre política, disso estamos nós cheios. Queremos diversão, notícias realmente interessantes, informações úteis, que nos façam fugir um pouco da crise. Parem de fazer um relatório completo sobre a vida daquela gente, realmente, a única coisa que falta é nos dizerem a cor da roupa interior do presidente, e olhem que já faltou mais.

Crónica

A imprensa consome-nos e nós consumimo-la a ela. É uma espécie de união que temos, ou seja a imprensa vende por nossa causa, pois se não a comprarmos deixa de existir. O mesmo se passa connosco, não deixamos de existir, como é óbvio, mas deixamos de estar a par de todas as situações. Na realidade nós não “vivemos” sem a imprensa, sem notícias, sem aquela fofoquice que todos dizem não acreditar mas que ainda assim, lêem e comentam por aí. A isto se chama “Inteligência”, não da nossa parte mas sim por parte da imprensa que sabe muito bem como chamar a nossa atenção. Ela faz-nos comprar revistas e jornais com um título em letras grandes e bem carregadas, numa frase em que X ou Y disse, sobre este ou aquele assunto e isso atrai as pessoas. A imprensa manipula-nos, descontextualiza as informações, opiniões e comentários que obtém para poder render mais. Nós sabemos isto e tudo e tal e coiso, mas mesmo assim compramos. Ainda existe gente a dizer que só compra para estar atento às notícias do Mundo e blá blá blá. Até pode ser, mas se houver uma páginazinha que tenha algo “apetitoso” sobre alguém... pumba, lá estamos nós a alimentarmo-nos com isso. Nos jornais ou em programas de televisão, o que costuma acontecer é que nos prendem à televisão, dizem-nos que vão fazer uma revelação importantíssima ou até mesmo, uma notícia que está em destaque. Eles mostram um pouco da notícia e depois se o jornal durar uma hora, ficamos presos à televisão uma hora e depois, quando finalmente mostram a notícia, das duas “três”, ou estamos a fazer algo e já nos esquecemos, ou mudámos de canal, ou ainda permanecemos no mesmo canal mas, a notícia de que tanto esperávamos, afinal, não era nada de especial e durou dez minutos... É como eu disse, metem-nos à frente da televisão tanto tempo para nada. Eles é que ganham com isso. A imprensa sabe muito bem quais são os nossos interesses, do que é que as pessoas mais gostam e tudo o que fazem é com essas características, para que nós compremos tudo o que o que eles têm para nos mostrar. Onde está então a superioridade humana, a inteligência que distingue o Homem do animal?

Amiguinhos




É quando finalmente se tem tempo para pegar naquele jornal que todos dias vemos de manhã, na banca por onde passamos na rua, e dar-lhe uma olhadela, que nos apercebemos da verdadeira crise em que vivemos. Sim, porque a crise não é só económica, com se diz por aí... Há uma crise de valores e isso reflecte-se igualmente na Imprensa.

No meio em que IMPARCIALIDADE é supostamente a palavra rei, choca-me deparar-me com uma verdade totalmente diferente. Às nossas escondidas, mas ironicamente de caras, a Imprensa e a Política andam de mãos dadas.Vivia na ilusão que não; vivemos no século XXI, somos livres e já ninguém julga ninguém por ter outra confissão política. Mas a verdade é que o próprio governo usa o que tem ao dispôr para moldar a mente do público. Nós, como galinhas dentro de capoeiras, somos engo(r)dados aos poucos e poucos. A Imprensa tem esta capacidade, elogiável, atrever-me-ia a dizer, pois é bastante admirável a eficácia com que o faz. Será demais pedir uma fonte de informação que não tome partidos? Estes amigos do peito, que pela frente desviam olhares mas por trás trocam pancadinhas nas costas, uniram-se para cativar a mente do povo português – e levaram mesmo cativas as suas opiniões. Quantas vezes ouvimos alguém justificar-se com “era o que vinha no jornal!”? Cabe na cabeça de alguém questionar tamanha fonte confiável?!

Todos temos de nos questionar – a nós mesmos. Uma forma de fazer isso é por nunca nos basearmos numa única fonte; analisar várias opiniões acerca do mesmo assunto. A necessidade de travar uma luta entre o que nos é introduzido e os nossos valores não deve terminar. Temos de fazer da verdade a nossa própria. Que me interessa se o Sr. Muito Culto diz isto ou aquilo no jornal? Quem me pode garantir que não foi comprado para proferir tamanhas palavras? A Imprensa e a Política andam de mãos dadas, andam... Mas a mim já não apanham!

domingo, maio 3

A Melhor Amiga do Homem


Desengane-se quem pensa que, sendo o cão o melhor amigo do homem, a cadela é a melhor amiga...
Quem não gosta daquele maravilhoso aparelho que temos em casa a que chamamos carinhosamente TV? Algumas mais a puxar para o quadrado, outras para o rectangular... Umas a cores, outras ainda a preto-e-branco. Uns gostam delas 'mais jovens' - são as novas, muito elegantes e com uma 'grande imagem'. Outros gostam daquelas que se têm lá em casa desde o século passado. Mas tirando todos estes pormenores, a verdade é que isso não nos interessa muito. Quanto à televisão, somos imparciais. Amamo-la incondicionalmente. E não esperamos que nos ame de volta; apenas que nos transmita o que queremos ver e não nos dê muitas dores de cabeça... Quando lhe começa a 'dar a travadinha', vai parar ao lixo e compra-se outra! Parece a relação perfeita..

Não admira que muitos troquem a mulher pela televisão... E vê bem, até nos fala de futebol! Que mais poderia um homem pedir?!

sexta-feira, maio 1

Obrigado media!

Os media estão longe da perfeição. É um facto mais que provado e comprovado. Manipulam, exploram a privacidade, distorcem a verdade… Mas é um facto que sem ela o mundo não era o mesmo. Sem ela não saberíamos o que se passa longe dos nossos narizes (e até o que está perto destes nos escapa). Precisamos de uma ajudinha extra deste pseudo-amigo, que até nos pode dar informação tão importante como dar computadores aos meninos esfomeados na Etiópia, mas também está lá quando algo de importante acontece. Peço-vos para verem a importância dos media na transmissão de alguns grandes acontecimentos dos séculos XX e XXI

Em 1945, os EUA lançam duas primeiras e únicas bombas atómicas de sempre em Hiroshima e Nagasáqui , acabando com a segunda guerra mundial e matando cerca de 140 a 220 mil pessoas, sem contar com as morte que ocorreram mais tarde devido à radiação. Todo o mundo esteve a par, todo o mundo viu as trágicas imagens desta tragédia, e isso graças à imprensa.

“Um pequeno paço para a o homem, um grande passo para a Humanidade”- Quem não conhece esta famosa frase? Pois provavelmente ela não seria dita, ou por menos conhecida, se não tivesse havido uma transmissão da aterragem do Homem à lua, em 1969. É conhecido o vídeo do simpático Neil Armstrong, aquele sujeito de aspecto bizarro que parecia se esquecer da sua missão para andar a saltaricar pelo “mar de tranquilidade”. Com o contributo dos media, pessoas de todo o mundo ficaram com a cabeça na lua!

A guerra das guerras, como era conhecida a primeira guerra mundial era tema principal dos jornais da época , que procuravam acalmar as mágoas dos que ficavam. Dava a informação do principais desenvolvimento e também as mostrava fotografias, que ainda hoje existem e constituem valiosos espólios de guerra

Os muros que separavam a Alemanha foram derrubados em 1989. O mundo assistiu a queda daquele muro que simbolizava a divisão do mundo em dois blocos.

A segunda guerra mundial foi acompanhada pelos media, não só pelos jornais, mas também através de uma espécie de noticiários que se viam no cinema. Davam as principais notícias da frente, se bem que era um bocado propagandística.

“Adeus e até ao meu regresso” é a frase que nos salta à memória quando pensamos nos media na guerra do ultramar. Os repórteres, principalmente na época natalícia, ocorriam para as Colónias onde a guerra se desenrolava, para falar com os militares, de modo a que estes pudessem tranquilizar as suas famílias. Os repórteres traziam as últimas deste conflito, se bem que nem todas as notícias eram publicadas.

A guerra do Vietname foi a primeira grande experiência de guerra acompanhada pela televisão. Com um pelotão de soldados ia geralmente um repórter que por entre tiros, granadas, sangue e selva, fazia o seu melhor para transmitir o trajecto desse pelotão com fidelidade.

A revolução dos cravos foi acompanhada pelos media portugueses, que tiveram fortes modificações depois desta. A princípio receosos, os jornalistas começaram por fim a ganhar confiança para transmitirem sem restrições, mo que aconteceu naquele dia. Os media tiveram um papel muito importante na transmissão e armazenamento da informação do que aconteceu.

A 26 de Dezembro de 2004, o mundo é surpreendido por notícias espantosas: ondas gigantes atingiram zonas costeiras da África Ocidental, provocando 220.000 mortos. As imagens das ondas a atingirem tudo e todos, os cadáveres nas ruas e os testemunhos na primeira pessoa chocaram o mundo, e transmitiram a dimensão da tragédia.

A 11 de Setembro de 2001 o mundo mudou. O ataque terrorista às torres gémeas em Nova Iorque pôde ser acompanhado ao vivo, a partir de nossas casas. As pessoas nem queriam acreditar no que viam, no que estava a acontecer naquele preciso momento. As imagens correram o mundo, que nunca mais foi o mesmo.

A guerra do Iraque acontece todas as noites na casa das pessoas. Acontece em directo, como se lá estivéssemos. Muitos são os países com equipas de jornalistas efectivos na frente de batalha. As técnicas de transmissão de imagem e som são agora muito desenvolvidas, o que faz espectador sentir-se ligado ao que está a ver, se bem que por vezes possa ser manipulado.

Por isso, para o bem e para o mal, os media estão sempre lá, tanto para nos destruírem células cerebrais com certas e determinadas notícias, mas também para ajudarem a compreender e conhecer o mundo à nossa volta.

domingo, abril 26

Olha, a Casimira foi às compras!!!


Escândalo da semana: Casimira fotografada às compras num hipermercado” – ‘notícias’ como esta (se é que lhe podemos chamar isso...),enchem as bancas. Em grande destaque está, habitualmente, uma fotografia a acompanhar o tema.



Mas será que quando compramos uma revista cor-de-rosa e vemos aquelas fotografias escandalosas que nos saltam à vista, nos passa pela cabeça o outro lado? O lado da pessoa em questão. Muitas vezes perseguidas, as figuras públicas são ‘abafadas’ por massas de fotógrafos, dispostos a ‘fazer das tripas coração’ por uma fotografia destas, especialmente se for chamativa. O grande ponto de interrogação reside, no entanto, em saber se há leis que limitam o "direito" dos paparazzi violarem a privacidade em nome de uma foto. Muitas questões éticas são levantadas quando se explora este tema e, na verdade, acaba por ficar um pouco ao critério da consciência de cada paparazzo. Certo e sabido, é que não se pode invadir propriedade privada em busca de uma fotografia chocante e única; na rua, qualquer um pode ser fotografado e tratam-se de fotógrafos profissionais. Gera-se assim muita controvérsia e muitos famosos têm instaurado processos contra os paparazzi, tendo ganho alguns. O caso que me vem à mente é o do casamento de Catherine Zeta-Jones e Michael Douglas. Os pobres coitados gastaram milhares de dólares para garantir que nenhum senhor entraria 'à socapa' para fotografar o momento. Estavam certos que a batalha estava ganha, mas o coração falou mais alto para um dos milhares de paparazzos que queriam uma lembrança do acontecimento e incrivelmente conseguiu-a. Pergunto-me agora: será este de facto o chamado ‘preço da fama’?



Os culpados também somos nós, que olhamos para a capa duma revista e não resistimos em ficar por dentro da última fofoquice. Mas o que é que me interessa a mim se o Cristiano Ronaldo anda com esta com com aquela?! Convencemo-nos de que precisamos saber e que se não soubermos não estamos in. Queremos estar ‘informados’, porque estas personalidades cativam-nos. Eles podem ser os famosos e os que são sufocados por enchentes de paparazzi, mas os verdadeiros escravos da fama somos nós. Porque é que ninguém anda atrás de mim quando vou às compras?!

quarta-feira, abril 22

A lei da bola

Hoje em dia os meios de comunicação privilegiam a informação futebolística aos aspectos verdadeiramente significativos do mundo actual. E é mesmo por aí que eu quero ir. Quero-vos falar do futebol em Portugal. Dizem que Portugal, na época de Salazar era o país dos três F´s: Fátima, Futebol e Família. Actualmente a tendência dos três F´s mantém-se mas com diferentes significados: Futebol, Futebol, Futebol.
Os outros desportos têm dois minutos de atenção nos telejornais e meia dúzia de frases nos jornais escritos. E é só isso que podemos querer ver. A verdade é que não sei qual a posição do meu clube no vólei, andebol e afins. Nem tanto vejo os jogos. Mas não perco um jogo de futebol. E quando no telejornal aparecem notícias de outros desportos eu penso:" Pois, ok, mas então e a bola?". Admito, sim, sigo esta tendência nacional. Eu e mais uns milhões de portugueses. O que deve a imprensa fazer? É que isto é uma faca de dois gumes. Se por um lado a imprensa é responsável por dar clara preferência ao futebol, a verdade é que se não o fizerem não terão audiência nem venderão jornais.

Outra problemática do futebol em Portugal é o desprezo das questões político/sociais/económicas do país e do mundo, em função do desporto rei. Aqui trata-se outra vez de uma questão de marketing. Isto é fácil de perceber porquê. Podemos perder a fé nos nossos dirigentes políticos e na sociedade, mas nunca, NUNCA, perdemos a fé no nosso clube de futebol. E é isso que as pessoas querem: esperança. Porque no futebol, se não se ganha hoje, ganha-se amanhã, ou para o ano. Mas no mundo de hoje, com a crise e tudo o que esta carrega, quando iremos ganhar? Mas todos temos, como cidadãos responsáveis de atender às crises deste mundo. Mais que não seja tomarmos conhecimento delas. Há mais mundo do que aquele que queremos ver.
Existe uma crise mundial, mas fala-se mais da crise no futebol. Existem políticos corruptos mas mais importante (segunda a imprensa) são os dirigentes desportivos que compram os árbitros (o que também é reprovável, sim). Há milhões de pessoas a morrer à fome e milhares de pessoas que perdem o emprego, a casa e não sabem como sobreviver. Mas mais importante que tudo, este fim de semana há derby!(desculpem o meu sarcasmo).
É uma tentação deixarmo-nos levar pelo mundo dos sonhos do futebol, mas apelo-vos a vós, jovens colegas, preocupados e conscientes, que tentem sempre, quando abrirem um jornal, reflectir sobre o conteúdo da secção "actualidade" e deixarem a parte desportiva para trás. Vamos quebrar esta tendência e dar um bom proveito áquilo que de útil os media têm para nos oferecer!

sexta-feira, abril 17

Liberdade de Expressão nos Media – em falta ou em demasia?

Existem dois pontos de vista para analisar esta questão. Por um lado, sabemos que a Imprensa é manipulada de forma a que certas notícias sejam”disfarçadas”, para proveito de alguns. Ainda verificamos isso, até nos dias de hoje, se uma notícia não é conveniente a órgãos envolvidos, ou se há uma hipótese de repressão pela publicação dessa mesma notícia, essa não é publicada. Será que é totalmente seguro em Portugal criticar altas patentes ou organismos nacionais ou internacionais? Será, sequer, que os media tem o direito de criticar o que quer que seja? Esta não deveria ser imparcial, apenas narrar os acontecimentos sem manipulação ou sem expressar a opinião?A verdade é que os media não tem ainda a liberdade necessária para dar uma versão diversificada e segundo vários pontos de vista às pessoas para que estas tenham uma noção clara dos acontecimentos e perceberem qual a realidade sem serem iludidas.
Mas este assunto é um dilema: Se por um lado os media não conseguem ainda mostrar toda a realidade tal como ela é, e logo há falta de liberdade de expressão, por outro lado vemos a privacidade de certas pessoas ser explorada pelos media, e logo existe liberdade de expressão em demasia.
Que direito têm as revistas de conhecerem detalhadamente a vida amorosa do Cristiano Ronaldo, e de a divulgarem (com pormenores) a quem apetecer ler, semanalmente e a baixo custo? E se alguém cuja vida é explorada e divulgada tem o atrevimento de contestar tal intromissão na vida alheia e logo acusado de atentado contra a liberdade de expressão! A máxima da liberdade é que esta acaba quando a do outro começa… Mas se é imoral “escavacar” a vida privada dos jogadores de futebol, modelos e actores também se podem utilizar os mesmo argumentos para se justificar que divulgar que certos dirigentes políticos ou desportivos possam ser corruptos também é imoral. É a vida privada dessas pessoas que está em causa. Mas então deixava de existir imprensa. E assim voltamos ao dilema. Por isso, se estavam à espera de uma resposta clara e concisa, aviso já que essa não será dada. E por sim, aceito que me acusem de ser uma ameaça à informação e liberdade de expressão.

quinta-feira, abril 16

A vida da Casimira


Catástrofes, conflitos, acidentes, avanços no campo da medicina,..., a traição do Manel com o Jaime, que, chocada com a descoberta, provocou à Casimira um aborto espontâneo da criança que era fruto da relação secreta entre esta e o meio-irmão,..., descobertas científicas, homicídios: enfim - assuntos abordados pelos telejornais do país à beira-mar plantado.

Num contexto em que se esperaria serviço público de qualidade e uma difusão de informações globais verdadeiramente relevantes ou no mínimo reais, somos bombardeados com notícias do mundo da ficção. Como se ocupar o horário nobre não fosse por si só já suficiente, as novelas assumem também presença nos noticiários. Quantas e quantas vezes no telejornal nos deparamos com a exclamação "Descubra quem matou Jaime - não perca esta noite o último episódio!" ou "As produções nacionais do nosso canal voltaram a bater toda a concorrência, atingindo 16.4 de rating e 38.5% de share!", quando na verdade estamos apenas interessados em 'notícias de gente'?

Talvez um dia se oiça falar de um 'telejornal ficcional', mas por agora ainda não... De qualquer forma, quem é daqueles que diz "Ai, não gosto de ver as notícias... Aquilo é só desgraças!" anime-se! Puseram-se muitas cabecinhas a pensar e arranjou-se uma solução: sabendo das fictícias, esquecem-se as reais! Vejam mas é novelas, sempre se distraem...